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Quanto cobrar por impressão 3D: como definir o preço de cada peça

Como sair do custo e chegar ao preço de venda da impressão 3D: lucro e impostos dentro do preço, pedido mínimo, quantidade, urgência e por que preço por grama dá prejuízo.

Resposta rápida

Para saber quanto cobrar por uma impressão 3D, calcule o custo completo da peça (material, máquina, energia, trabalho, custos fixos e falhas) e divida por (1 − lucro − impostos). Uma peça que custa R$ 19,28, com 40% de lucro e 6% de impostos, sai por R$ 35,70. Depois acrescente acabamento, urgência e frete, e defina um pedido mínimo para que peças pequenas paguem o tempo de atendimento.

Saber o custo é metade do caminho. A outra metade é transformar esse custo num preço que pague impostos, deixe lucro e ainda faça sentido para o cliente. Este guia parte do custo da peça (se você ainda não tem esse número, comece pelo guia de custo) e chega ao valor que vai no orçamento.

Passo 1: o custo completo da peça

O preço só fica certo se o custo estiver completo: material, máquina, energia, trabalho, custos fixos e falhas. No nosso exemplo, uma peça de 50 g impressa em 3 horas custa R$ 19,28. Desse total, R$ 4,45 são de filamento e R$ 10,00 são do seu trabalho.

Passo 2: lucro e impostos dentro do preço

Impostos e taxas (do marketplace, da maquininha) são cobrados sobre o preço de venda. O lucro que você quer também é uma fatia do preço. Por isso a conta é:

preço = custo ÷ (1 − lucro − impostos)
Lucro + impostos Divida o custo por Preço da peça de R$ 19,28
30% + 6% 0,64 R$ 30,12
40% + 6% 0,54 R$ 35,70
50% + 6% 0,44 R$ 43,81

Com 40% de lucro, dos R$ 35,70 sobram R$ 14,28 de lucro de verdade. Se você tivesse multiplicado o custo por 1,4 (R$ 26,99), depois do imposto o lucro seria de R$ 6,09, só 22,6% do preço. A diferença está explicada no guia markup ou margem.

Se você vende em marketplace, some a comissão e a taxa de pagamento aos impostos nessa conta: elas também saem do preço.

Passo 3: por que preço por grama dá prejuízo

É tentador ter uma "tabela por grama". O problema é que o peso não diz quanto tempo a peça ocupa a máquina. Veja duas peças de 50 g com os mesmos valores do exemplo:

Peça Tempo de impressão Preço calculado
Chaveiro sólido 1 hora R$ 32,57
Peça vazada e alta 6 horas R$ 40,38

Se as duas fossem cobradas pelo mesmo valor por grama, a segunda estaria subsidiando a primeira, e as peças demoradas (as que mais ocupam a sua fila) sairiam baratas demais.

Passo 4: ajustes que mudam o preço

  • Acabamento: lixar, aplicar primer, pintar, colar e montar. Cobre como um valor fixo por peça ou some o tempo ao trabalho.
  • Urgência: quem precisa para amanhã passa na frente dos outros pedidos. Um acréscimo percentual (por exemplo, 20% ou 50% conforme o prazo) paga a reorganização da fila.
  • Quantidade: em lotes, preparação e atendimento se dividem entre as peças. Faixas de desconto (por exemplo, a partir de 10 e de 50 unidades) são justas, desde que o lote continue dando lucro.
  • Embalagem: caixas, sacos e etiquetas são custo por peça. Some ao total sem colocar lucro em cima, ou trate como parte do produto.
  • Frete: é um repasse. Entra no total do orçamento, mas não é receita sua.

Passo 5: o pedido mínimo

Uma peça de 5 g pode custar centavos de material, mas o atendimento, o fatiamento, a preparação da mesa e a embalagem levam o mesmo tempo de sempre. Defina um valor mínimo por pedido: se a soma das peças ficar abaixo dele, o orçamento sobe para o mínimo. Aplique o mínimo sobre a produção, antes do frete, para que o frete não "complete" o valor.

Passo 6: confira com o mercado

O preço calculado é o seu piso para não perder dinheiro. Antes de enviar, compare com o que o seu cliente encontra em outros lugares. Se o seu preço está muito acima, revise o tempo de trabalho e a configuração de impressão (altura de camada, preenchimento, suportes), que costumam ter mais margem para otimizar do que o material. Se está muito abaixo, talvez você esteja deixando dinheiro na mesa, principalmente em peças personalizadas, que valem pelo resultado e não pelo grama.

Resumo

  1. Calcule o custo completo da peça.
  2. Coloque lucro e impostos dividindo o custo por (1 − lucro − impostos).
  3. Não cobre por grama.
  4. Acrescente acabamento, urgência, embalagem e frete.
  5. Tenha um pedido mínimo.
  6. Compare com o mercado antes de enviar.

Você pode fazer essa conta com os seus números na calculadora grátis de impressão 3D.

Perguntas frequentes

Posso cobrar por grama de filamento?

Não é uma boa ideia. Duas peças com o mesmo peso podem levar 1 hora ou 6 horas para imprimir. No exemplo do guia, peças de 50 g custam R$ 32,57 ou R$ 40,38 conforme o tempo. Preço por grama ignora o tempo de máquina e o seu trabalho.

Qual margem de lucro usar na impressão 3D?

Não existe um número único: depende do seu mercado, da concorrência e de quanto a peça é personalizada. O importante é que o lucro seja uma porcentagem do preço (e não do custo) e que você confira se o preço final ainda é aceito pelos seus clientes.

Devo cobrar um valor mínimo por pedido?

Sim. Atender, fatiar, preparar a impressora e embalar levam quase o mesmo tempo numa peça de R$ 5 ou de R$ 50. Um pedido mínimo garante que todo pedido pague esse tempo.

Como cobrar pedidos com muitas peças iguais?

Em lotes, a preparação e o atendimento se diluem entre as peças, então um desconto por faixa de quantidade é justo. Calcule o custo do lote inteiro e confira se o desconto ainda deixa lucro.