Taxa de falha na impressão 3D: como medir e colocar no preço
Por que toda peça impressa em 3D deve carregar uma reserva para falhas, como medir a sua taxa de falha e como aplicar no custo sem exagerar.
Resposta rápida
A taxa de falha é a porcentagem do seu trabalho que se perde em impressões que dão errado. Ela entra no custo multiplicando a soma de material, máquina, energia e trabalho por (1 + taxa). Com 5% sobre um custo de R$ 18,36, a peça passa a custar R$ 19,28. Meça a sua taxa anotando por um mês o material e as horas perdidas em relação ao total.
Toda oficina de impressão 3D tem a sua pilha de peças que deram errado: a que descolou da mesa, a que entupiu na metade, a que saiu com camada deslocada. O material e as horas dessas peças já foram gastos. A pergunta é quem paga por elas.
O que é a taxa de falha
É a porcentagem do que você produz que se perde. Se, a cada 100 horas de impressão, 5 vão para peças que precisam ser refeitas, a sua taxa de falha é de 5%.
Na conta do custo, ela entra multiplicando tudo o que veio antes:
custo da peça = (material + máquina + energia + trabalho + custos fixos) × (1 + taxa de falha)
No exemplo do guia de custo, a soma dá R$ 18,36. Com 5% de falha, a peça custa R$ 19,28.
Quanto ela muda o preço
Com 40% de lucro e 6% de impostos dentro do preço:
| Taxa de falha | Custo da peça | Preço de venda |
|---|---|---|
| 0% | R$ 18,36 | R$ 34,00 |
| 5% | R$ 19,28 | R$ 35,70 |
| 10% | R$ 20,19 | R$ 37,39 |
| 15% | R$ 21,11 | R$ 39,09 |
A diferença por peça é pequena, mas é ela que impede que uma única falha numa peça grande apague o lucro de vários pedidos.
Como medir a sua taxa
Durante um mês, anote cada impressão que precisou ser refeita:
- quantas horas de máquina foram perdidas;
- quantos gramas de material foram para o lixo.
No fim do mês, divida o total perdido pelo total impresso. Se você imprimiu 400 horas e perdeu 18, sua taxa por tempo é de 4,5%. Faça o mesmo com o material e use o maior dos dois números.
Algumas dicas:
- Conte só falhas de produção. Peças de teste e calibração da impressora são custo da oficina, não de um pedido.
- Separe por tipo de peça. Se as falhas se concentram em um tipo (peças altas, TPU, impressões de mais de 12 horas), trate esse tipo à parte.
- Revise a cada poucos meses. Uma impressora nova, um material novo ou uma mudança de perfil no fatiador mudam a taxa.
Taxa geral x peça difícil
Aumentar a taxa de falha de todas as peças por causa de algumas difíceis encarece os pedidos simples. O melhor é:
- usar a taxa geral (a sua média) em todas as peças;
- aplicar um acréscimo de complexidade só nas peças com mais risco: altas e finas, com muitos suportes, em materiais flexíveis ou técnicos, ou muito longas.
No Custo Impressão isso fica separado: a taxa de falha está nas configurações e a complexidade é escolhida em cada cotação.
Como reduzir as falhas
A taxa de falha não é um destino. Algumas medidas costumam reduzir bastante as perdas:
- calibrar o primeiro layer e manter a mesa limpa (sem gordura dos dedos);
- secar o filamento, principalmente PETG, TPU e nylon;
- ajustar a orientação da peça e os suportes no fatiador;
- fazer manutenção preventiva do bico e do extrusor;
- usar câmera ou detecção de falhas, se a impressora tiver.
Cada ponto percentual a menos vira lucro, sem precisar subir o preço.
Resumo
Meça quanto do seu tempo e do seu material se perde, aplique essa porcentagem sobre o custo de cada peça e trate as peças arriscadas com um acréscimo próprio. Na calculadora grátis a taxa de falha é um dos campos e você vê na hora quanto ela soma ao preço.
Perguntas frequentes
Qual taxa de falha usar na impressão 3D?
A sua. Anote por algumas semanas quantas horas e quantos gramas foram perdidos em impressões que deram errado, divida pelo total impresso e use esse número. Enquanto não tiver histórico, comece com um valor pequeno e revise.
A taxa de falha não deixa o preço caro demais?
Não, se for o seu número real. Ela só redistribui o que você já perde entre as peças que dão certo. Sem ela, quem paga as falhas é o seu lucro.
Peças difíceis devem ter taxa maior?
Sim. Peças altas e finas, impressões muito longas, materiais flexíveis ou técnicos falham mais. Em vez de aumentar a taxa de tudo, aplique um acréscimo de complexidade só nessas peças.